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  • Foto do escritorPaloma Galvão

Renascendo das cinzas: dando voz às vítimas de um relacionamento abusivo (AVISO: pode ter gatilho)




Imagem de divulgação do documentário "Renascendo das cinzas", com Evan Rachel Wood. Fonte: HBO MAX

É possível separar a obra do artista?

Eu escuto bastante rock e heavy metal, são meus estilos musicais prediletos, e eu gosto da atitude transgressora que o rock promove. Porém, fico decepcionada quando descubro que aquele artista cujas músicas eu gosto de ouvir, é um babaca ou fez algo digno de reprovação.




Marilyn Manson. Fonte: POPline

Recentemente, assisti ao documentário “Renascendo das cinzas” (2022), dirigido por Amy Berg, disponível na HBO MAX, que aborda a luta da atriz e ativista Evan Rachel Wood (seu último trabalho foi na série "Westworld", de 2022) em prol das vítimas de relacionamentos abusivos e violência doméstica, já que ela própria foi vítima. E seu algoz não é ninguém mais, ninguém menos que um “rock star”, o polêmico Marilyn Manson, alter ego de Brian Warner. Eu não conheço tantas músicas dele, porém gosto de escutar e admiro o perfil transgressor, crítico dos paradigmas de nossa sociedade. Lembro que passei a admirá-lo mais quando assisti ao documentário “Tiros em Columbine” (2002), de Michael Moore, no qual ele foi entrevistado e disse sábias palavras ao ser questionado sobre ter influenciado os jovens que promoveram a tragédia que ficou conhecida como Massacre de Columbine  (para quem não lembra, dois jovens entraram armados na escola Columbine High School em Colorado, EUA,  e atiraram em alunos e funcionários).


Evan Rachel Wood e Marilyn Manson. Fonte: Miguel Barbieri

Entretanto, apesar de toda essa atitude questionadora, ele é mais um homem que reproduz os preceitos misóginos do patriarcado, e Evan foi uma vítima de seu comportamento abusivo. E minha admiração foi por água abaixo depois de descobrir o que ele fez com Evan e outras ex-namoradas (e ela não foi a única vítima dele).


Divulgação do filme "Aos treze". Fonte: Wikipédia

Evan ficou conhecida principalmente pelo filme “Aos treze” (2003), de Catherine Hardwicke, no qual interpreta uma adolescente que passa a ter problemas de relacionamento com sua família após se envolver em situações de risco envolvendo sexo, drogas e crimes, influenciada por uma amiga. Na época do filme, ela tinha 14 anos. Quando conheceu Manson, ela tinha 18, e ele, 37. Ambos deixaram seus relacionamentos da época para ficarem juntos (ela namorava um ator e ele era casado com uma modelo.)



Evan e Marilyn. Fonte: Folha - UOL

No documentário, Evan relata que sofreu diversos abusos, como estupros enquanto dormia, privação de sono, torturas com choques, manipulação psicológica, e até um tratamento frio de Manson quando ela havia acabado de passar por um aborto. Um desses abusos ficou registrado, a gravação do videoclipe da música “Heart-shaped glasses “, no qual ela relata ter sido dopada e estuprada. As cenas teriam que ser uma atuação, mas Manson a penetrou assim que iniciaram as gravações, e isso não estava combinado antes das gravações. Você pode assinar a petição on-line para que o clipe de seja retirado do YouTube clicando aqui.


Hoje, Evan luta para que as vozes de outras mulheres vítimas de violência doméstica sejam ouvidas, inclusive ela conseguiu com que uma lei fosse aprovada na Califórnia (EUA), a Lei Phoenix, que permite a denúncia de abusos até 5 anos após o ocorrido. Antes, esse limite era de 3 anos. Isso mostra que é importante falarmos sobre esse assunto, denunciar os abusadores e dar nome às coisas. Claro que nem sempre é fácil, pois a vítima, muitas vezes sentindo vergonha e culpa, não gosta de relembrar o ocorrido, com medo de ser revitimizada ou constrangida quando resolve denunciar. É necessário que as delegacias e hospitais tenham funcionários preparados para acolher essas vítimas, sem reproduzir comentários machistas do tipo, “que roupa você estava usando?” ou “por que você saiu de noite?”.


Evan Rachel Wood. Fonte: Magazine-HD

“Mas se for mentira esse relato?” Claro que muitos fãs de Manson podem se questionar sobre isso e invalidar a luta de Evan. Se é verdade ou não, cabe à lei apurar. Enquanto isso, sempre defenderei a vítima até que se prove o contrário.


Se você está em situação de violência, busque ajuda discando 180. Mais informações aqui




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